Piscina que mata a sede de São Paulo corre risco de invasão

16 04 2009

Esta enorme piscina concentra a água distribuída para 52% das torneiras da cidade de São Paulo. É aqui, na Estação de Tratamento de Água Guaraú, localizada na Cantareira, zona norte da capital, que a água utilizada por você para enxaguar os dentes pela manhã ganha transparência, potabilidade segura, e direção.

água para SP

As três tubulações acima sugam de rios do sul de Minas Gerais a água que abastece metade da cidade. Ela chega em alta velocidade, geralmente por apenas dois dos grandes tubos, revezados para manutenção. Depois, segue para o tratamento (piscina acima). Dizem que o governo mineiro já se movimenta em torno do assunto. Quer garantir o abastecimento da grande Belo Horizonte, que cresce a cada dia, e vetar o desvio dos rios mineiros para a metrópole paulista. Receio de deixar , daqui a 20 anos, a mineirada com sede. Mas isso é apenas um rumor.

A água parte da estação depois de ser filtrada e de receber algumas substâncias químicas. Como o cloro e o sulfato de alumínio, que separa resíduos sólidos dos liquidos e garante a límpida gota que pinga na pia durante a madrugada. No espaço filmado por mim (acima) a água está recém separada dos detritos grosseiros da natureza e escorre em direção a um longo filtro de carvão e pedras. Porém, penso que isso pouco interessa para quem acabou de ler a história de uma quase-estupradora da classe média paulistana (post logo abaixo). Desta forma, vamos ao que interessa. Ou melhor, vamos ao que julgo interessante e ao que suguei conscientemente durante essa visita à estação.

No país de Obama – falo dos Estados Unidos – as estações responsáveis pelo abastecimento das grandes cidades são rigidamente protegidas pelas forças armadas. Como quartéis. O motivo: medo. Pavor de Osama Bin Laden invadir uma das fontes de água bruta e misturar qualquer arma química no liquido, da mesma maneira que se mistura nescau no leite. Da mesma maneira que misturou kamikazes talibãs em aviões de 2oo poltronas.

A Estação Guaraú, da Sabesp, parece ser bem protegida. Guardinhas de farda preta e olhar ingênuo rodam sobre Hondas Bros 150 cilindradas pelos cantos do lugar, armados com revólveres calibre 38 e cacetetes de ferro. No entanto, é bem possível invadir o local, delimitado apenas por grades de arame entrelaçado. Um membro de qualquer grupo pseudo-revolucionário contra cultural poderia pular a grade na calada da noite. Vestir-se de preto, despistar os vigilantes e despejar centenas de litros de LSD puro no lago que concentra a água utilizada por meia cidade para cozinhar batatas, lavar os cabelos e refrescar a goela.

Longe de mim lançar ideias pela internet, mas imagine o impacto. Fica claro que o perigo existe. O que não faltam são ativistas-terroristas para o trabalho, que poderia ser considerado até espécie de manifestação artística. Por isso, atenção José Serra: as estações de tratamento de água do Estado são vulneráveis e podem ser alvo de ataques.

Sem mais, deixo a mensagem: feche o chuveiro quando for se ensaboar. A água está acabando, dizem. Mesmo com pessoas morrendo afogadas em enchentes repentinas.

O que falta é permacultura para o povo.


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