Diário de viagem em Paraty (8)

Ainda é sábado, quase ou depois do meio-dia, horas após minha extensa-demais queixa de solidão. O rapaz que apareceu aqui em Martim de Sá na última quinta-feira, com uma prancha embaixo do braço, voltou hoje, como havia prometido. Antes dele, no instante em que eu olhava o mar, esperava a aparição de Seu Maneco por entre as ondas (a bordo daquele “bote voador”) e desenhava na cabeça o desenrolar dos meus próximos dias, uma mulher morena, aparentemente magra e estranhamente solitária surgiu de trás da cabana de barcos, e veio em minha direção, caminhando lentamente. Eu já não podia reclamar da solidão.

Estou no canto esquerdo da praia (o meu preferido). Ela passa por mim, dá “oi” e estende uma canga sob o sol escasso, aos pés do lago formado pelas águas que descem do alto do morro. Levanto, fumo um cigarro e subo até o banheiro, a 200 metros, para aliviar os intestinos. Dou de cara, na saída do pequeno banheiro de paredes mal conservadas, com o rapaz da prancha, muito simpático ao avisar que trouxe em sua bagagem uma pá de ingredientes para cozinhar uma baita feijoada vegetariana. Digo que tenho arroz. Ele e a garota da praia são amigos, professores em Pouso da Cajaíba e na Ponta da Joatinga, respectivamente. Combinada a feijoada, vamos à praia.

Como já disse Seu Maneco, “hoje o sol está com preguiça de sair”. Vou buscá-lo, tão logo, na histórica cidade de Paraty.



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