Fora do ar

Este blog está provisoriamente fora do ar. Ando gastando muito tempo com um portfólio online, dividido em textos e fotos que produzi nos últimos dois anos. Pretendo manter um blog por lá também, algo que possa suprir o fluxo imposto por recentes inspirações. Dê um check out no meu trabalho em www.babbud.com

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Por que o noticiário político está errado

Coluna publicada no site PapodeHomem nesta terça-feira, 14 de janeiro de 2014.

Dilma passará o dia despachando no CCBB, em Brasília

Então, já que é preciso falar de política, vou fazer um comentário. Faz quase três horas que o sol se pôs em São Paulo e, nessas alturas da rotina na cidade grande, acabo de acessar as seções de Política da Folha, do Estadão e de O Globo para sortear no breu um assunto a ser comentado – dê-me alguns segundos. Certo. Não são tão curtas as buscas por algo que mereça algo. Contudo, encontrei Alexandre Padilha, o ministro da Saúde, de mudança a São Paulo para aquecer-se depressa para as eleições de outubro, por meio das quais tentará ocupar a cadeira de Geraldo Alckmin no palácio aqui bem perto de casa – que eu, inclusive, observava por trás da fumaça minutos atrás, na praça em frente, depois do trabalho, sabe como é.

“Já trouxe as coisas que estavam em Brasília de volta para a minha casa em São Paulo. Desde a reunião do dia 2 de novembro eu me preparei para sair ao longo do mês de janeiro”, disse Padilha. A reunião foi com a Dilma, que exigiu dos ministros-candidatos que limpassem as mesas até este mês.

A frase foi proferida aos repórteres durante a inauguração de uma unidade de saúde na Lapa, zona Oeste.

Engraçado imaginar a cena: uma equipe de assessores em debandada depois de receber a ordem de encontrar a todo custo um evento especialmente adequado para a visita de um ministro da Saúde à caça dos votos que costumam eleger o PSDB em São Paulo. Aquele partido, assim, tão admirado pelos bem nascidos desta babilônia. A maior capital do país. O poço oco & profundo de votos que elegem – e como elegem. E elegem. Elegem. Elegem ainda mais quando a própria panela escolhe a tampa menos favorável para o cozimento dos feijões – se é que você me entende.

Desculpe o devaneio. A pergunta é: haveria no planeta ocasião mais perfeita para garimpar votos da elite paulistana que a inauguração de um posto de Saúde em um bairro nobre? Ministro da Saúde, posto de Saúde. Bairro nobre, votos do PSDB. Pois então: foi a circunstância perfeita. Palmas para os assessores. Agora, se tivessem nascido na Finlândia, eles provavelmente teriam impedido Padilha de comentar sua mudança de cidade, cujo propósito único & exclusivo é trabalhar em busca de um cargo no governo. Deveria ser motivo de vergonha demonstrar muito interesse nos votos e pouco nas mazelas do Brasil.

Pobre país.

Talvez haja um dia em que alguém perceba que a temporada de caça aos votos não é mais importante que o fato de três cabeças rolarem em um presídio no Maranhão. O campeonato travado entre sedutores de eleitores merece mais atenção que os hospitais sem seringas nem curados do Tocantins? A disputa protagonizada por engravatados à procura de poder deve ser mais comentada que o buraco citado por um taxista argentino que encontrei em Florianópolis semana passada (“essa merda está aí há trinta anos e ninguém faz nada”, disse ele) ?

Não.

Então por que diabos a porra da televisão cria uma vinheta para as eleições e nada para os impostos desperdiçados? Nem um quadro especial no programa da Fátima Bernardes?

O povo está vendo. Ninguém está percebendo. Não importa o nome que vai chegar ao poder. Importa o que ele terá para fazer.


Visualizações de página

Na última sexta-feira, 13 de dezembro, tive neste blog 15 page views. Agora, na madrugada desta terça-feira, 16 de dezembro, esse número subiu para 472 page views. Que coisa linda é a espontaneidade da internet, onde seres de todas as raças se unem em busca de conhecimento. Oh. Gostaria de ressaltar que isto somente aconteceu por conta de publicações minhas em outros sites, que agiram como motor que direcionou visualizações de página para cá. Grande coisa. Embora os números acima representem quase nada, uma merreca ínfima porém honesta, quero ainda ressaltar que 2014 promete tentativas profissionais de multiplicação de leitores. Obrigado, coleguinhas. Vocês ganharão irmãozinhos em breve – espero. Até a próxima.


A iminência da segunda-feira

Publicado no PapoDeHomem em 15 de dezembro de 2013, com pequenas padronizações implantadas por mim.

Vamos que vamos, a locomotiva não pode parar. São 00h17 de segunda-feira, 18 de novembro de 2013, um bom horário para estar dormindo. Mas não estou. Uma pergunta me atormenta. O que significa o sentimento que parece tomar conta de toda a humanidade durante as noites de domingo? Algo que parece deixar o ar mais denso, as cabeças mais preocupadas, corações palpitantes, uma depressão instantânea e contagiosa que é potencialmente difundida como epidemia feroz pela voz de Fausto Silva, pelas vinhetas sonoras do Fantástico, pelas buzinas distantes das motocicletas que entregam pizzas e rolinhos primavera nas ruas iluminadas da zona sul. Qual é o significado disso tudo?

Muita coisa, filosoficamente falando. A iminência da segunda-feira, para certos cidadãos prevenidos e bem disciplinados, significa a iminência de mais uma batalha temporária, um sacrifício momentâneo – porque, convenhamos, toda segunda-feira é uma árdua missão a ser cumprida – travado antes da aposentadoria em prol de conquistas maiores. Mas não nos enrosquemos por aí, raciocínio segue. Esse tipo de cidadão é praticamente onipresente na atual sociedade contemporânea de classe média brasileira: nós, que não somos ricos nem pobres, trabalhamos oito horas por dia, usamos cartão de crédito para parcelar e de débito nos restaurantes do fim de semana, vamos ao cinema, ao bar, à banca de jornal, e compramos panetones nesta época do ano. Vou fechar um pouco o foco: nós, uma nova geração ensinada a cumprir tabela em troca de um futuro promissor. Ensinada a entender que a vida aqui não é fácil – e ralar para colher uma horta gorda é a maneira mais digna para alcançar o clímax de uma existência confortável: a estabilidade.

Então, quando a segunda-feira chega para um grupo de yuppies revoltados, integrantes estreantes da famigerada geração Y, a vida vira um terror. A segunda-feira representa o fim precipitado de uma curta temporada de prazer (o fim de semana). A segunda-feira significa o início de uma luta agonizante contra as próprias vontades. A segunda-feira é a punição antecipada forjada para compensar o cochilo depois do almoço, o chope Brahma desenfreado, o sapato novo encaixotado, o milk shake de Ovomaltine e, mais além, a caminhada sem compromisso, a curiosidade sem resposta sobre o próximo destino – enfim, a liberdade total e absoluta. Finalmente, leitor, a segunda-feira nada mais é do que o símbolo reluzente da nossa brutal capacidade de nos acomodar.

Inquietar-se com a iminência da segunda-feira não significa detestar a própria rotina, mas talvez seja um sintoma de que algo precisa ser ajustado. Faz algum tempo que deixei de me coçar por conta de segundas-feiras – mas, vez por outra, isso acontece. A melhor forma de encontrar a cura imediata: faça. O que tiver de fazer, faça.


Sebastião Salgado, o gênio recatado

Sebastião Salgado tinha 29 anos quando começou a fotografar. Ainda dá tempo de você reservar esta aba para assistir depois à fabulosa entrevista com o mineiro naturalizado nômade convicto, veiculada no Roda Viva de 16 de setembro. São as últimas e melhores partes, que somam 43 minutos divididos em dois blocos de vinte que podem mudar cabeças em busca de inspiração.


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O santuário das rolas

Publicado no site Papo de Homem no fim de semana passado.

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No fim de uma rua chamada Wireless, nos fundos de um hotel de luxo chamado Swissôtel Nai Lert Park, no centro de Bangkok, tudo o que qualquer turista esperaria encontrar seria, no mínimo, uma lan house. Uma barraca de Pad Thai, talvez. Mas aquilo não é nem de longe um ponto turístico convencional nem destino de turistas convencionais. É um lugar para viajantes desinteressados no mainstream, para aqueles que costumam caçar as coisas mais bizarras que possam existir numa metrópole. É uma igreja de pintos. Um santuário de rolas. Um canto de um terreno reservado às mais variadas estátuas do orgão genital masculino.

Cassetes e pistolas talhados em madeira e pedra, que cumprem o papel de santos para mulheres que rezam para engravidar.

Encontrei o endereço do lugar surreal depois de revirar as páginas empoeiradas de um guia Lonely Planet de 1996, empréstimo do irlandês que alugava a casa onde eu morava na Austrália. Ele me deu aquele livro três meses antes de eu embarcar rumo à Tailândia. Passei muitos minutos antes de dormir decifrando aqueles parágrafos em inglês à meia-luz do abajur. E então, meu camarada, quando cheguei em Bangkok, eu já sabia que deveria ir além dos templos gigantescos e da visita ao famigerado Buda de 40 e tantos metros.

A curiosidade me obrigou a ver aquilo de perto.

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A igreja se chama Chao Mae Tuptim e foi criada em algum instante entre 1900 e 1925 por um milionário tailandês chamado Nai Lert, um homem de bochechas largas e penteado esquisito que morreu em dezembro de 1945, aos 73 anos. Hoje, seus netos e bisnetos cuidam dos negócios que ele deixou – um deles é o Swissôtel. Antes que você pergunte, não, Nai Lert não era nenhum homossexual colecionador de artigos perversos.

Os penis, na Tailândia, significa boa sorte e garantia de fertilidade, e acredita-se, inclusive, que quem tocá-los – no caso, tocá-las, as estátuas (não se anime) – pode ser agraciado com eflúvios cósmicos imediatos. É por isso que as mulheres tailandesas – e algumas gringas – largam por ali um punhado de incensos, velas e oferendas aos falos imponentes.

É algo insólito.

De qualquer maneira, o que vim mesmo contar é que Bangkok é uma das cidades mais malucas deste planeta. Não só porque seus habitantes cultuam pintos enormes, mas por um milhão de outras coisas sobre as quais escreverei um dia. Aguarde.

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Diário do blogueiro

O fechamento da edição de aniversário da Fluir acabou. Bebemos cerveja e comemos carne até altas horas. A revista será uma surpresa nas bancas depois do dia 20. Escrevi dentro dela um perfil sobre Ricardo Bocão, proprietário de uma das mais interessantes vidas que transferi para o papel – e um tanto de outras reportagens. Vale a pena ler. Fora isso, estou com uma nova matéria engatilhada no Papo de Homem, negociações promissoras com a editora Globo Condé Nast e pretendo em muito breve transformar este blog num domínio .com com novo design. Juventude fugitiva será outro. Amém.